sábado, 14 de setembro de 2013

As organizações Globo reconhecem: apoiar o golpe militar de 64 foi um erro

Apoio editorial ao golpe de 64 foi um erro

  • A consciência não é de hoje, vem de discussões internas de anos, em que as Organizações Globo concluíram que, à luz da História, o apoio se constituiu um equívoco

RIO - Desde as manifestações de junho, um coro voltou às ruas: “A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura”. De fato, trata-se de uma verdade, e, também de fato, de uma verdade dura.
Já há muitos anos, em discussões internas, as Organizações Globo reconhecem que, à luz da História, esse apoio foi um erro.

Há alguns meses, quando o Memória estava sendo estruturado, decidiu-se que ele seria uma excelente oportunidade para tornar pública essa avaliação interna. E um texto com o reconhecimento desse erro foi escrito para ser publicado quando o site ficasse pronto.
Não lamentamos que essa publicação não tenha vindo antes da onda de manifestações, como teria sido possível. Porque as ruas nos deram ainda mais certeza de que a avaliação que se fazia internamente era correta e que o reconhecimento do erro, necessário.
Governos e instituições têm, de alguma forma, que responder ao clamor das ruas.
De nossa parte, é o que fazemos agora, reafirmando nosso incondicional e perene apego aos valores democráticos, ao reproduzir nesta página a íntegra do texto sobre o tema que está no Memória, a partir de hoje no ar:
1964
“Diante de qualquer reportagem ou editorial que lhes desagrade, é frequente que aqueles que se sintam contrariados lembrem que O GLOBO apoiou editorialmente o golpe militar de 1964.
A lembrança é sempre um incômodo para o jornal, mas não há como refutá-la. É História. O GLOBO, de fato, à época, concordou com a intervenção dos militares, ao lado de outros grandes jornais, como “O Estado de S.Paulo”, “Folha de S. Paulo”, “Jornal do Brasil” e o “Correio da Manhã”, para citar apenas alguns. Fez o mesmo parcela importante da população, um apoio expresso em manifestações e passeatas organizadas em Rio, São Paulo e outras capitais.
Naqueles instantes, justificavam a intervenção dos militares pelo temor de um outro golpe, a ser desfechado pelo presidente João Goulart, com amplo apoio de sindicatos — Jango era criticado por tentar instalar uma “república sindical” — e de alguns segmentos das Forças Armadas.
Na noite de 31 de março de 1964, por sinal, O GLOBO foi invadido por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido Aragão, do “dispositivo militar” de Jango, como se dizia na época. O jornal não pôde circular em 1º de abril. Sairia no dia seguinte, 2, quinta-feira, com o editorial impedido de ser impresso pelo almirante, “A decisão da Pátria”. Na primeira página, um novo editorial: “Ressurge a Democracia”.
A divisão ideológica do mundo na Guerra Fria, entre Leste e Oeste, comunistas e capitalistas, se reproduzia, em maior ou menor medida, em cada país. No Brasil, ela era aguçada e aprofundada pela radicalização de João Goulart, iniciada tão logo conseguiu, em janeiro de 1963, por meio de plebiscito, revogar o parlamentarismo, a saída negociada para que ele, vice, pudesse assumir na renúncia do presidente Jânio Quadros. Obteve, então, os poderes plenos do presidencialismo. Transferir parcela substancial do poder do Executivo ao Congresso havia sido condição exigida pelos militares para a posse de Jango, um dos herdeiros do trabalhismo varguista. Naquele tempo, votava-se no vice-presidente separadamente. Daí o resultado de uma combinação ideológica contraditória e fonte permanente de tensões: o presidente da UDN e o vice do PTB. A renúncia de Jânio acendeu o rastilho da crise institucional.
A situação política da época se radicalizou, principalmente quando Jango e os militares mais próximos a ele ameaçavam atropelar Congresso e Justiça para fazer reformas de “base” “na lei ou na marra”. Os quartéis ficaram intoxicados com a luta política, à esquerda e à direita. Veio, então, o movimento dos sargentos, liderado por marinheiros — Cabo Ancelmo à frente —, a hierarquia militar começou a ser quebrada e o oficialato reagiu.
Naquele contexto, o golpe, chamado de “Revolução”, termo adotado pelo GLOBO durante muito tempo, era visto pelo jornal como a única alternativa para manter no Brasil uma democracia. Os militares prometiam uma intervenção passageira, cirúrgica. Na justificativa das Forças Armadas para a sua intervenção, ultrapassado o perigo de um golpe à esquerda, o poder voltaria aos civis. Tanto que, como prometido, foram mantidas, num primeiro momento, as eleições presidenciais de 1966.
O desenrolar da “revolução” é conhecido. Não houve as eleições. Os militares ficaram no poder 21 anos, até saírem em 1985, com a posse de José Sarney, vice do presidente Tancredo Neves, eleito ainda pelo voto indireto, falecido antes de receber a faixa.
No ano em que o movimento dos militares completou duas décadas, em 1984, Roberto Marinho publicou editorial assinado na primeira página. Trata-se de um documento revelador. Nele, ressaltava a atitude de Geisel, em 13 de outubro de 1978, que extinguiu todos os atos institucionais, o principal deles o AI5, restabeleceu o habeas corpus e a independência da magistratura e revogou o Decreto-Lei 477, base das intervenções do regime no meio universitário.
Destacava também os avanços econômicos obtidos naqueles vinte anos, mas, ao justificar sua adesão aos militares em 1964, deixava clara a sua crença de que a intervenção fora imprescindível para a manutenção da democracia e, depois, para conter a irrupção da guerrilha urbana. E, ainda, revelava que a relação de apoio editorial ao regime, embora duradoura, não fora todo o tempo tranquila. Nas palavras dele: “Temos permanecido fiéis aos seus objetivos [da revolução], embora conflitando em várias oportunidades com aqueles que pretenderam assumir a autoria do processo revolucionário, esquecendo-se de que os acontecimentos se iniciaram, como reconheceu o marechal Costa e Silva, ‘por exigência inelutável do povo brasileiro’. Sem povo, não haveria revolução, mas apenas um ‘pronunciamento’ ou ‘golpe’, com o qual não estaríamos solidários.”
Não eram palavras vazias. Em todas as encruzilhadas institucionais por que passou o país no período em que esteve à frente do jornal, Roberto Marinho sempre esteve ao lado da legalidade. Cobrou de Getúlio uma constituinte que institucionalizasse a Revolução de 30, foi contra o Estado Novo, apoiou com vigor a Constituição de 1946 e defendeu a posse de Juscelino Kubistchek em 1955, quando esta fora questionada por setores civis e militares.
Durante a ditadura de 1964, sempre se posicionou com firmeza contra a perseguição a jornalistas de esquerda: como é notório, fez questão de abrigar muitos deles na redação do GLOBO. São muitos e conhecidos os depoimentos que dão conta de que ele fazia questão de acompanhar funcionários de O GLOBO chamados a depor: acompanhava-os pessoalmente para evitar que desaparecessem. Instado algumas vezes a dar a lista dos “comunistas” que trabalhavam no jornal, sempre se negou, de maneira desafiadora.
Ficou famosa a sua frase ao general Juracy Magalhães, ministro da Justiça do presidente Castello Branco: “Cuide de seus comunistas, que eu cuido dos meus”. Nos vinte anos durante os quais a ditadura perdurou, O GLOBO, nos períodos agudos de crise, mesmo sem retirar o apoio aos militares, sempre cobrou deles o restabelecimento, no menor prazo possível, da normalidade democrática.
Contextos históricos são necessários na análise do posicionamento de pessoas e instituições, mais ainda em rupturas institucionais. A História não é apenas uma descrição de fatos, que se sucedem uns aos outros. Ela é o mais poderoso instrumento de que o homem dispõe para seguir com segurança rumo ao futuro: aprende-se com os erros cometidos e se enriquece ao reconhecê-los.
Os homens e as instituições que viveram 1964 são, há muito, História, e devem ser entendidos nessa perspectiva. O GLOBO não tem dúvidas de que o apoio a 1964 pareceu aos que dirigiam o jornal e viveram aquele momento a atitude certa, visando ao bem do país.
À luz da História, contudo, não há por que não reconhecer, hoje, explicitamente, que o apoio foi um erro, assim como equivocadas foram outras decisões editoriais do período que decorreram desse desacerto original. A democracia é um valor absoluto. E, quando em risco, ela só pode ser salva por si mesma.”


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domingo, 25 de agosto de 2013

Importação de médicos cubanos não é nova - José Serra também importou

obitido de : http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff2605200310.htm

SAÚDE

Convênio entre Tocantins e Cuba trouxe 258 profissionais da área; governo diz que faltam especialistas brasileiros

Médico cubano ganha até R$ 10 mil no TO
FÁTIMA FERNANDES
CLAUDIA ROLLI
DA REPORTAGEM LOCAL
Um convênio firmado em janeiro do ano passado entre o governo do Tocantins e o Ministério da Saúde de Cuba para a contratação de 210 médicos, 40 enfermeiros e 8 técnicos cubanos para hospitais públicos da região causa alvoroço e expõe um problema que o governo Lula vai ter de enfrentar: como lidar com o empregado estrangeiro, considerando o elevado índice de desemprego no país.
O Conselho Regional de Medicina do Estado de Tocantins informa que há 53 médicos cubanos com registro no conselho, mas estima que 150 trabalham no Estado sem registro, o que desrespeita o convênio que os trouxe ao Brasil. O contrato estabelece que os cubanos estão sujeitos à legislação brasileira (diplomas reconhecidos e registro no CRM).
A ausência de inscrição no conselho e o fato de os cubanos -que chegam a ganhar R$ 10 mil/ mês- não terem prestado concurso público para trabalhar no Estado levaram o Ministério Público do Trabalho do Tocantins a investigar as contratações.
"O Estado tem de realizar concurso público, como estabelece o artigo 37, inciso II da Constituição", afirma Antônio Carlos Cavalcante Rodrigues, procurador do trabalho do Tocantins.
Henrique Furtado, secretário da Saúde do Estado do Tocantins, diz que o convênio com Cuba foi feito porque faltam profissionais brasileiros para trabalhar no interior. Segundo ele, há na região 134 médicos e 19 enfermeiros cubanos, que estão em processo de revalidação de diploma e registro no CRM. O Estado prepara a realização de concurso público, diz.
"Os médicos brasileiros querem morar em Copacabana [no Rio de Janeiro]. Se os cubanos saírem daqui, teremos dificuldade para substituí-los", diz Furtado. Quase metade dos 139 municípios do Tocantins possui menos de 5.000 habitantes, que vivem em áreas com saneamento básico precário.
Os médicos cubanos já estavam instalados no Tocantins antes de o convênio ter sido firmado. Desde 98, o Estado optou pela contratação desses profissionais. Alguns médicos foram transferidos da Fundap (Fundação de Apoio à Pesquisa da Universidade Federal do Amapá) para o Tocantins.
O Ministério do Trabalho foi informado recentemente pelo Ministério Público do Trabalho do Tocantins e pelo Conselho Regional de Medicina do Estado sobre esse convênio. O ministério pediu à DRT (Delegacia Regional do Trabalho) do Estado para fiscalizar e relatar o caso na região.
O que chama a atenção do ministério -além do grande número de cubanos na região- é a renda mensal dos profissionais. Pelo convênio, os médicos recebem um salário mensal de R$ 2.880, o mesmo pago aos brasileiros.
Os cubanos ainda têm direito a R$ 2.500 mensais por participarem do Programa Saúde da Família, além de verbas do SUS e de convênios. Os médicos recebem uma parte dessa verba por atendimento feito. Isso não vale para os brasileiros, segundo o ministério.
Cálculos de técnicos do Ministério do Trabalho mostram que os salários dos médicos cubanos podem chegar a R$ 10 mil por mês. O secretário da Saúde do Tocantins confirma que, em alguns municípios, os médicos chegam a receber até R$ 10 mil por mês, pois, para manter os profissionais, as prefeituras oferecem vantagens como moradia e alimentação.
"O estranho é que sei de muito médico brasileiro que tem salário de R$ 500 a R$ 800 e que gostaria de trabalhar por esse salário que está sendo oferecido", diz o procurador-geral do Trabalho, Guilherme Mastrichi Basso.
Em fevereiro deste ano, o CRM do Tocantins encaminhou ao Ministério da Justiça um relatório para informar sobre a ausência de registro dos médicos cubanos.
"O ministro [Jaques Wagner] pediu para verificarmos o que acontece no Tocantins. Não estamos aqui para defender o CRM, mas, se o ministério constatar irregularidade trabalhista, os vistos dos cubanos serão indeferidos", afirma Hebe Romano, coordenadora-geral de imigração do Ministério do Trabalho.
Para o presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Eleuses Vieira de Paiva, o Brasil tem "excesso" de médicos. Segundo dados da AMB, dos 285 mil médicos brasileiros cerca de 60% atuam na capital e 40%, no interior.

A desproporção da participação de SP na Câmara dos Deputados - Isso é democracia?

obtido de: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0011-52581997000300006

A coluna 'A-B' mostra que SP tem 41 representantes a menos do que deveria. Se não houvesse limite do número de cadeiras, SP teria 111 representantes, em vez de 70.
Um cidadão mineiro, no voto, vale 1,5 mais que um eleitor paulista. O do RJ vale 1,7 a mais. Um cidadão de Roraima vale 12 vezes mais que um paulista. Essa é nossa democracia.

Percentual da População dos Estados, Número de Cadeiras dos Estados na Câmara (Absoluto e Percentual) e Número de Cadeiras dos Estados na Câmara Proporcional à População (Absoluto e Percentual) ¾ 1994

Estado %
População
Número de
Cadeiras
(1994)
[A]
% Número de Cadeiras
Proporcional à
População dos
Estados
[B]
% A - B
SP 21,6 70 13,6 111 21,6 - 41
MG 10,6 53 10,3 54 10,5 - 1
RJ 8,5 46 9,0 44 8,6 + 2
BA 8,1 39 7,6 42 8,2 - 3
RS 6,1 31 6,0 32 6,2 - 1
PR 5,6 30 5,8 29 5,7 + 1
PE 4,8 25 4,9 25 4,9 0
CE 4,3 22 4,3 22 4,3 0
PA 3,5 17 3,3 18 3,5 - 1
MA 3,4 18 3,5 17 3,3 + 1
SC 3,1 16 3,1 16 3,1 0
GO 2,8 17 3,3 14 2,7 + 3
PB 2,1 12 2,3 11 2,1 + 1
ES 1,8 10 1,9 9 1,8 + 1
PI 1,7 10 1,9 9 1,8 + 1
AL 1,7 9 1,8 9 1,8 0
RN 1,7 8 1,6 8 1,6 0
AM 1,5 8 1,6 8 1,6 0
MT 1,5 8 1,6 8 1,6 0
MS 1,2 8 1,6 6 1,2 + 2
DF 1,1 8 1,6 6 1,2 + 2
SE 1,0 8 1,6 5 1,0 + 3
RO 0,9 8 1,6 4 0,8 + 4
TO 0,6 8 1,6 3 0,6 + 5
AC 0,3 8 1,6 1 0,2 + 7
AP 0,2 8 1,6 1 0,2 + 7
RR 0,2 8 1,6 1 0,2 + 7
Total 100,0 513 100,0 513 100,0

sábado, 24 de agosto de 2013

No Congresso, um cidadão de São Paulo vale 10 vezes menos que um cidadão de Roraima. Democracia?

Excelente artigo de Roberto Pompeu de Toledo, sobre o grande flagelo de uma democracia fraca: no Congresso, um cidadão de São Paulo vale 10 vezes menos que um cidadão de Roraima

Onde está a democracia?

obtido de: http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/roberto-pompeu-de-toledo-o-teto-para-o-numero-de-deputados-para-os-estados-distorce-completamente-a-representacao-popular/

O GRANDE AUSENTE

O limite para o número de deputados para os Estados distorce completamente a representação popular

Roberto Pompeu de Toledo
Roberto Pompeu de Toledo

O grande ausente das atuais cogitações sobre a reforma política é o dispositivo constitucional que estabelece o mínimo de oito deputados e o máximo de setenta para cada bancada estadual.
A “crise de representatividade” é alardeada sempre como motivo central para a reforma do sistema. No entanto, não se fala nesse grande fator de distorção na representatividade que é o artigo 45 da Constituição, ao estabelecer um mínimo de oito deputados e um máximo de setenta por estado.
Para citar o exemplo clássico, São Paulo, que bate no teto constitucional, tem um deputado para cada 600.000 habitantes, enquanto Roraima, o menos populoso dos estados, tem um para cada 58.750.
Resulta daí uma sub-representação de São Paulo, uma super-representação de Roraima e, computadas todas as outras distorções, entre tais extremos, uma Câmara dos Deputados capenga, muito longe de espelhar equitativamente a população brasileira.
Voto distrital é feito para eleger representantes de uma comunidade de eleitores, não de um Estado. Misturar populações de Estados diferentes para formar distritos viria ao encontro do espírito que o anima.
Costuma-se culpar o “pacote de abril”, funesta reforma baixada pela ditadura, em 1977, pela distorção. O pacote de abril é culpado por muita coisa, inclusive pela grotesca instituição do “senador biônico” (não eleito, mas nomeado), mas não por isso.
Os limites vêm desde a Constituição republicana de 1891 (mínimo de quatro e máximo por um cálculo variável) e vieram se agravando (a Constituição de 1946 previa mínimo de sete e máximo também por um cálculo variável) até chegar ao ápice na Constituição de 1988, justamente a mais democrática de nossa história.
Segundo teoria geralmente aceita, interessa aos governantes conferir maior representatividade a regiões menos populosas por serem de mais fácil manipulação. A imposição de limites seria portanto um freio de espírito conservador contra as aspirações dos setores sociais mais avançados.
A questão não vem de agora, nem é apenas daqui. No Japão agora mesmo a má distribuição dos distritos pelos quais são eleitos os deputados levou a Suprema Corte a declarar a Câmara em “estado de inconstitucionalidade”.
Em toda parte do mundo, as relações entre regiões, estados, municípios ou até bairros são embaraçosas e difíceis de superar. A equidade é ainda mais reclamada, e a distorção fica mais evidente, quando o sistema de eleição dos deputados é o majoritário em distritos reduzidos — o sistema conhecido no Brasil por “voto distrital”. Caso fosse instituído entre nós, sem mexer com os limites constitucionais vigentes, cada distrito de São Paulo teria 600.000 eleitores, contra 58.750 em Roraima — receita certa para uma Câmara estapafúrdia, em que a carência de representatividade ficaria ainda mais exposta do que na atual.
É difícil estabelecer negociações entre unidades federativas quando de algumas se pede que abram mão do que supõem sejam conquistas. O Tribunal Superior Eleitoral determinou em abril, com base nos resultados do Censo de 2010, uma atualização das bancadas que implicaria, nas eleições de 2014, o aumento delas em cinco Estados e a diminuição em oito.
Maior ganhador, o Pará ficaria com quatro deputados a mais, mas a maioria ganharia ou perderia apenas um. O presidente da Câmara avisou de pronto que o assunto era delicado e demandava reflexão. Nunca se procedeu à atualização das bancadas, desde a Constituição de 1988; a tendência é sempre deixar as coisas como estão.
Se é assim com os pequenos ajustes, imagine-se com um maior, como o que revogaria os limites máximo e mínimo. E, se os ajustes são difíceis assim no sistema atual, imagine-se no caso de ser implantado o voto distrital.
Uma possível estratégia para quebrar o impasse seria radicalizar o conceito de que deputado é representante do povo. O conceito já está escrito na Constituição: radicalizá-lo significaria precisar que, sendo representante do povo, não é do Estado. Nas regiões fronteiriças, haveria distritos que misturariam populações de um lado e de outro; e Estados de escassa população, como Roraima, se juntariam a vizinhos para formar um distrito.
Voto distrital é feito para eleger representantes de uma comunidade de eleitores, não de um Estado. Misturar populações de Estados diferentes para formar distritos viria ao encontro do espírito que o anima. De quebra, com isso se valorizaria o papel do Senado, esta sim a Casa de representação dos Estados, hoje tão redundante com relação à Câmara.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Médicos cubanos no Haiti deixam o resto do mundo envergonhado / Cuban medics in Haiti put the world to shame

obtido de: http://www.independent.co.uk/life-style/health-and-families/health-news/cuban-medics-in-haiti-put-the-world-to-shame-2169415.html


(See the original English text after this translated to Portuguese)



(em português)

Médicos e enfermeiros de Castro são a espinha dorsal da luta contra a cólera

Eles são os verdadeiros heróis do desastre do terremoto no Haiti, a catástrofe humana
bem na porta da América, para quem Barack Obama prometeu uma monumental missão humanitária. Porém, esses heróis vêm da arqui-inimiga dos EUA, Cuba, cujos médicos e enfermeiros deixaram os esforços norteamericanos ridicularizados.

Uma brigada de 1.200 médicos cubanos está operando em tod
a a área do Haiti devastada pelo terremoto e infectado pela cólera, como parte da missão médica internacional de Fidel Castro, que fez o Estado socialista ganhar a simpatia de muitos, mas pouco reconhecimento internacional.
 
Observadores do terremoto no Haiti poderiam ser perdoados por pensar que as agências de ajuda internacionais estavam sozinhas na luta contra a devastação que matou 250.000 pessoas e deixou cerca de 1,5 milhão de desabrigados. De fato, trabalhadores da saúde cubanos estão no Haiti desde 1998. Portanto,, quando o terremoto aconteceu, logo uma equipe médica de 350 pessoas entrou em ação. E em meio a fanfarra e publicidade em torno da chegada de ajuda os EUA e do Reino Unido, mais centenas de médicos cubanos, enfermeiros e terapeutas chegaram com uma ou outra menção. A maioria dos países deixaram o Haiti em dois meses, novamente deixando os cubanos e os Médicos Sem Fronteiras como os principais prestadores de serviços médicos para a ilha caribenha.

Números divulgados na semana passada mostram que o pessoal médico cubano, trabalhando em 40 centros em todo o Haiti, tem tratado mais de 30.000 doentes de cólera desde outubro. Eles são o maior contingente estrangeiro, tratando cerca de 40 por cento de todos os doentes de cólera. Outro grupo de médicos da brigada cubana Henry Reeve, uma equipe especializada em desastres e emergência, chegou recentemente, e tornou-se claro que o Haiti estava sofrendo com a epidemia que já matou centenas de pessoas.

Desde 1998, Cuba treinou 550 médicos haitianos gratuitamente na Escola Latinoamericana de Medicina en Cuba (Elam), um dos empreendimentos médicos mais avançados do país. Outros 400 estão sendo treinados na faculdade, que oferece ensino gratuito - incluindo livros gratuitos e um pouco de dinheiro para as despesas - para qualquer pessoa suficientemente qualificada que não pode pagar os estudos de Medicina em seu próprio país.

John Kirk é professor de Estudos Latino-Americanos na Universidade Dalhousie, no Canadá, que pesquisa equipes médicas internacionais de Cuba. Ele disse: "A contribuição de Cuba no Haiti é como o maior segredo do mundo.  Eles raramente são mencionados pela mídia , apesar de fazer a maior parte do trabalho pesado."

Esta tradição remonta a 1960, quando Cuba enviou médicos para o Chile, atingido por um forte terremoto, seguido por uma equipe de 50 para a Argélia em 1963. Isso foi quatro anos após a revolução, que viu perto da metade dos 7.000 médicos deixarem o país, em direção aos EUA.

Os médicos que viajam têm servido como um instrumento extremamente útil da política externa e econômica do governo, ganhando simpatias e favores pelo mundo. O programa mais conhecido é a Operação Milagre, que começou com os oftalmologistas tratando portadores de catarata venezuelanos em aldeias pobres em troca de petróleo. Esta iniciativa tem restaurado a visão de 1,8 milhões de pessoas em 35 países, incluindo o de Mario Terán, o sargento boliviano que matou Che Guevara em 1967.

A Brigada Henry Reeve, rejeitada pelos americanos após o furacão Katrina, foi a primeira equipe a chegar ao Paquistão após o terremoto de 2005, e a última a sair seis meses depois.

A Constituição de Cuba estabelece a obrigação de ajudar os países mais desfavorecidos, mas a solidariedade internacional não é a única razão, segundo o professor Kirk. "Isso permite aos médicos cubanos, que são terrivelmente mal pagos, ganharem um dinheiro extra no estrangeiro e aprenderem mais sobre as doenças e condições sobre as quais apenas estudou. É também uma obsessão de Fidel porque ganha votos na ONU."

Um terço dos 75 mil médicos de Cuba, juntamente com outros 10 mil trabalhadores de saúde, estão atualmente trabalhando em 77 países pobres, incluindo El Salvador, Mali e Timor Leste. Isso ainda deixa um médico para cada 220 pessoas no país, uma das mais altas taxas do mundo, em comparação com um para cada 370 na Inglaterra.


Onde quer que sejam convidados, os cubanos implementam o seu modelo holístico focado na prevenção, visitando famílias em casa, monitorando de forma proativa a saúde materna e infantil. Isso produziu "resultados impressionantes" em regiões de El Salvador, Honduras e Guatemala, reduzindo as taxas de mortalidade infantil e materna, redução de doenças infecciosas e deixando para trás trabalhadores locais de saúde mais qualificados, de acordo com a pesquisa do professor Kirk.

A formação médica em Cuba dura seis anos - um ano mais do que no Reino Unido - após o qual todos os pós-graduados trabalham como um médico de família por três anos no mínimo. Trabalhando ao lado de uma enfermeira, o médico de família cuida de 150 a 200 famílias na comunidade em que vive.

Este modelo ajudou Cuba a alcançar algumas das melhorias de saúde mais invejáveis do mundo, apesar de gastar apenas $ 400 (£ 260) por pessoa no ano passado em comparação com $ 3.000 (£ 1.950) no Reino Unido e $ 7.500 (£ 4,900) em os EUA, de acordo com dados das Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento.

As taxas de mortalidade infantil, uma das medidas mais confiáveis da saúde de uma nação, é de 4,8 por mil nascidos vivos - comparável com a Grã-Bretanha e menor do que os EUA. Apenas 5 por cento dos bebês nascem com baixo peso ao nascer, um fator crucial para a saúde a longo prazo, e a mortalidade materna é a mais baixa da América Latina, demonstram os números da Organização Mundial de Saúde. Policlínicas de Cuba, abertas 24 horas por dia para emergências e cuidados especializados, é um passo à frente dos médicos de família. Cada uma provê de 15.000 a 35.000 pacientes por meio de um grupo de consultores em tempo integral, bem como acompanham os médicos, garantindo que a maioria dos cuidados médicos são prestados na comunidade.

Imti Choonara, um pediatra de Derby, lidera uma delegação de profissionais de saúde internacionais, em mutirões anuais na terceira maior cidade de Cuba, Camagüey. "Saúde em Cuba é fenomenal, e a chave é o médico de família, que é muito mais proativo, e cujo foco é a prevenção ... A ironia é que os cubanos vieram ao Reino Unido após a revolução para ver como o NHS funcionava. Eles retornam com aquilo que aprenderam, refinaram e desenvolveram ainda mais, enquanto nós nos movemos em direção ao modelo dos EUA ", disse o professor Choonara.

A política, inevitavelmente, penetra muitos aspectos da saúde cubana. Todos os anos os hospitais produzem uma lista de medicamentos e equipamentos que estão indisponíveis por causa do embargo americano que impede muitas empresas dos EUA a negociar com Cuba, e convence outros países a seguir o exemplo. O relatório de 2009/10 inclui medicamentos para o cancro infantil, HIV e artrite, alguns anestésicos, bem como produtos químicos necessários para o diagnóstico de infecções e armazenamento de órgãos. Farmácias em Cuba são caracterizados por longas filas e prateleiras esparsamente empilhados, embora, em parte, isso ocorre porque eles estocam apenas marcas genéricas.

Antonio Fernandez, do Ministério da Saúde Pública, disse: "Nós fazemos 80 por cento dos medicamentos que usamos O resto nós importamos da China, países da ex-União Soviética, Europa -
qualquer um que venda para nós - mas isso torna muito caro. por causa das distâncias. "

Em geral, os cubanos são imensamente orgulhosos
e favoráveis a sua contribuição ao Haiti e a outros países pobres, pela satisfação de cumprir com prazer de estar fazendo algo aparentemente além de suas possibilidades na cena internacional. No entanto, algumas pessoas queixam-se do aumento da espera para ver o seu médico, pois muitos estão trabalhando no exterior. E, como todas as commodities em Cuba, os medicamentos estão disponíveis no mercado negro para aqueles dispostos a arriscar grandes multas se for pego comprando ou vendendo.
As viagens internacionais estão além do alcance da maioria dos cubanos, mas os médicos e enfermeiros qualificados estão entre os proibidos de deixar o país por cinco anos após a graduação, salvo como parte de uma equipe médica oficial.

Como todo mundo, os profissionais de saúde ganham salários miseráveis
em torno de 20 dólares por mês. Assim, ao contrário do contas oficiais, a corrupção existe no sistema hospitalar, o que significa que alguns médicos e até hospitais, estão além dos limites, a menos que os pacientes podem oferecer alguma coisa, talvez almoçar ou alguns pesos, para tratamento preferencial.

Empreendimentos internacionais de Cuba na área da saúde estão se tornando cada vez mais estratégicos. No mês passado, funcionários mantiveram conversações com o Brasil sobre o desenvolvimento do sistema de saúde pública do Haiti, no qual o Brasil e a Venezuela concordaram em ajudar a financiar.

A formação médica é outro exemplo. Existem atualmente 8.281 alunos de mais de 30 países matriculados na Elam, que no mês passado comemorou o seu 11 º aniversário. O governo espera incutir um senso de responsabilidade social, em que os alunos, na esperança de que eles vão trabalhar dentro de suas próprias comunidades pobres pelo menos cinco anos.

Damien Joel Suárez, 27, um segund
anista de New Jersey, é um dos 171 estudantes norte-americanos; 47 já se formaram. Ele rejeita as alegações de que Elam é parte da máquina de propaganda cubana. "É claro que Che é um herói aqui, mas ele não o obriga a nada."

Outros 49 mil alunos estão matriculados no El Nuevo Programa de Formação de Médicos Latino-americanos,
de autoria de Fidel Castro e Hugo Chávez, que prometeram em 2005 treinar 100 mil médicos para o continente. O curso é muito mais prático, e os críticos questionam a qualidade da formação.

O professor Kirk discorda:. "A abordagem
high-tech para a saúde necessários em Londres e Toronto é irrelevante para milhões de pessoas no Terceiro Mundo que estão vivendo na pobreza É fácil ficar de fora e criticar a qualidade, mas se você vivesse em algum lugar sem médicos, então você ficaria feliz em levar alguém. "

Há nove milhões de haitianos que provavelmente concordariam.

Cuban medics in Haiti put the world to shame

Castro's doctors and nurses are the backbone of the fight against cholera

They are the real heroes of the Haitian earthquake disaster, the human catastrophe on America's doorstep which Barack Obama pledged a monumental US humanitarian mission to alleviate. Except these heroes are from America's arch-enemy Cuba, whose doctors and nurses have put US efforts to shame.

A medical brigade of 1,200 Cubans is operating all over earthquake-torn and cholera-infected Haiti, as part of Fidel Castro's international medical mission which has won the socialist state many friends, but little international recognition.
Observers of the Haiti earthquake could be forgiven for thinking international aid agencies were alone in tackling the devastation that killed 250,000 people and left nearly 1.5 million homeless. In fact, Cuban healthcare workers have been in Haiti since 1998, so when the earthquake struck the 350-strong team jumped into action. And amid the fanfare and publicity surrounding the arrival of help from the US and the UK, hundreds more Cuban doctors, nurses and therapists arrived with barely a mention. Most countries were gone within two months, again leaving the Cubans and Médecins Sans Frontières as the principal healthcare providers for the impoverished Caribbean island.
Figures released last week show that Cuban medical personnel, working in 40 centres across Haiti, have treated more than 30,000 cholera patients since October. They are the largest foreign contingent, treating around 40 per cent of all cholera patients. Another batch of medics from the Cuban Henry Reeve Brigade, a disaster and emergency specialist team, arrived recently as it became clear that Haiti was struggling to cope with the epidemic that has already killed hundreds.
Since 1998, Cuba has trained 550 Haitian doctors for free at the Escuela Latinoamericana de Medicina en Cuba (Elam), one of the country's most radical medical ventures. Another 400 are currently being trained at the school, which offers free education – including free books and a little spending money – to anyone sufficiently qualified who cannot afford to study medicine in their own country.
John Kirk is a professor of Latin American studies at Dalhousie University in Canada who researches Cuba's international medical teams. He said: "Cuba's contribution in Haiti is like the world's greatest secret. They are barely mentioned, even though they are doing much of the heavy lifting."
This tradition can be traced back to 1960, when Cuba sent a handful of doctors to Chile, hit by a powerful earthquake, followed by a team of 50 to Algeria in 1963. This was four years after the revolution, which saw nearly half the country's 7,000 doctors voting with their feet and leaving for the US.
The travelling doctors have served as an extremely useful arm of the government's foreign and economic policy, winning them friends and favours across the globe. The best-known programme is Operation Miracle, which began with ophthalmologists treating cataract sufferers in impoverished Venezuelan villages in exchange for oil. This initiative has restored the eyesight of 1.8 million people in 35 countries, including that of Mario Teran, the Bolivian sergeant who killed Che Guevara in 1967.
The Henry Reeve Brigade, rebuffed by the Americans after Hurricane Katrina, was the first team to arrive in Pakistan after the 2005 earthquake, and the last to leave six months later.
Cuba's constitution lays out an obligation to help the worst-off countries when possible, but international solidarity isn't the only reason, according to Professor Kirk. "It allows Cuban doctors, who are frightfully underpaid, to earn extra money abroad and learn about diseases and conditions they have only read about. It is also an obsession of Fidel's and it wins him votes in the UN."
A third of Cuba's 75,000 doctors, along with 10,000 other health workers, are currently working in 77 poor countries, including El Salvador, Mali and East Timor. This still leaves one doctor for every 220 people at home, one of the highest ratios in the world, compared with one for every 370 in England.
Wherever they are invited, Cubans implement their prevention-focused holistic model, visiting families at home, proactively monitoring maternal and child health. This has produced "stunning results" in parts of El Salvador, Honduras and Guatemala, lowering infant and maternal mortality rates, reducing infectious diseases and leaving behind better trained local health workers, according to Professor Kirk's research.
Medical training in Cuba lasts six years – a year longer than in the UK – after which every graduate works as a family doctor for three years minimum. Working alongside a nurse, the family doctor looks after 150 to 200 families in the community in which they live.
This model has helped Cuba to achieve some of the world's most enviable health improvements, despite spending only $400 (£260) per person last year compared with $3,000 (£1,950) in the UK and $7,500 (£4,900) in the US, according to Organisation for Economic Co-operation and Development figures.
Infant mortality rates, one of the most reliable measures of a nation's healthcare, are 4.8 per 1,000 live births – comparable with Britain and lower than the US. Only 5 per cent of babies are born with a low birth weight, a crucial factor in long-term health, and maternal mortality is the lowest in Latin America, World Health Organisation figures show. Cuba's polyclinics, open 24 hours a day for emergencies and specialist care, are a step up from the family doctors. Each provides for 15,000 to 35,000 patients via a group of full-time consultants as well as visiting doctors, ensuring that most medical care is provided in the community.
Imti Choonara, a paediatrician from Derby, leads a delegation of international health professionals at annual workshops in Cuba's third city, Camaguey. "Healthcare in Cuba is phenomenal, and the key is the family doctor, who is much more proactive, and whose focus is on prevention ... The irony is that Cubans came to the UK after the revolution to see how the NHS worked. They took back what they saw, refined it and developed it further; meanwhile we are moving towards the US model," Professor Choonara said.
Politics, inevitably, penetrates many aspects of Cuban healthcare. Every year hospitals produce a list of drugs and equipment they have been unable to access because of the American embargo which prevents many US companies from trading with Cuba, and persuades other countries to follow suit. The 2009/10 report includes drugs for childhood cancers, HIV and arthritis, some anaesthetics, as well as chemicals needed to diagnose infections and store organs. Pharmacies in Cuba are characterised by long queues and sparsely stacked shelves, though in part this is because they stock only generic brands.
Antonio Fernandez, from the Ministry of Public Health, said: "We make 80 per cent of the drugs we use. The rest we import from China, former Soviet countries, Europe – anyone who will sell to us – but this makes it very expensive because of the distances."
On the whole, Cubans are immensely proud and supportive of their contribution in Haiti and other poor countries, delighted to be punching above their weight on the international scene. However, some people complain of longer waits to see their doctor because so many are working abroad. And, like all commodities in Cuba, medicines are available on the black market for those willing to risk large fines if caught buying or selling.
International travel is beyond the reach of most Cubans, but qualified nurses and doctors are among those forbidden from leaving the country for five years after graduation, unless as part of an official medical team.
Like everyone else, health professionals earn paltry salaries of around $20 (£13) a month. So, contrary to official accounts, bribery exists in the hospital system, which means some doctors, and even hospitals, are off-limits unless patients can offer a little something, maybe lunch or a few pesos, for preferential treatment.
Cuba's international ventures in healthcare are becoming increasingly strategic. Last month, officials held talks with Brazil about developing Haiti's public health system, which Brazil and Venezuela have both agreed to help finance.
Medical training is another example. There are currently 8,281 students from more than 30 countries enrolled at Elam, which last month celebrated its 11th anniversary. The government hopes to inculcate a sense of social responsibly into the students in the hope that they will work within their own poor communities for at least five years.
Damien Joel Suarez, 27, a second year from New Jersey, is one of 171 American students; 47 have already graduated. He dismisses allegations that Elam is part of the Cuban propaganda machine. "Of course, Che is a hero here but he isn't forced down your neck."
Another 49,000 students are enrolled in the El Nuevo Programa de Formacion de Medicos Latinoamericanos, the brainchild of Fidel Castro and Hugo Chavez, who pledged in 2005 to train 100,000 doctors for the continent. The course is much more hands-on, and critics question the quality of the training.
Professor Kirk disagrees: "The hi-tech approach to health needed in London and Toronto is irrelevant for millions of people in the Third World who are living in poverty. It is easy to stand on the sidelines and criticise the quality, but if you were living somewhere with no doctors, then you'd be happy to get anyone."
There are nine million Haitians who would probably agree.
 





terça-feira, 26 de março de 2013

Brazil: Humbled heavyweight

March 25, 2013 5:37 pm

Brazil: Humbled heavyweight

Growth has stalled and the government is casting about for revival measures 
 http://www.ft.com/cms/s/0/7c9af0e4-8fc2-11e2-9239-00144feabdc0.html#ixzz2OhLj9awi

Children play near cable cars that cross over Complexo do Alemao, Brazil©AFP
Robert Lima da Silva sits on the ageing motorbike he uses for his job as a courier, waiting for one of São Paulo’s torrential rainstorms to pass.
“I’ve got a motorbike from 2003 and I want to change it for something newer,” he says. But he explains that repayments on his existing debts account for about two-thirds of his monthly income. “The problem is that my debts won’t let me,” he says of the planned upgrade.
Brazil’s motorcycle industry reflects a wider malaise in Latin America’s biggest economy. Two-wheeler sales were growing quickly until 2011, when millions of new lower-income consumers took advantage of easy access to loans to buy a new Honda or Yamaha. Last year, however, that changed as consumer credit became harder to secure, causing production to plunge by more than a fifth. It is a trend that has continued into this year.

Like many other Brazilian manufacturers, the motorcycle industry is now looking to the federal government in Brasília to help solve its problems. They know that the government of President Dilma Rousseff is desperate to revive the country’s former economic miracle. Gross domestic product grew less than 1 per cent last year, the lowest of the Brics club of emerging nations. Investors are shunning Brazil in preference for Mexico, something unthinkable only two years ago. Although she is still immensely popular, the economy is a potential cloud over Ms Rousseff’s re-election prospects next year.

Her government’s response has been to wade into sectors ranging from energy to telecommunications with a mixture of carrot and stick, from tax incentives to measures forcing producers to cut prices. Yet rising government involvement in business is proving divisive. On one side, those in banking and the financial markets argue that Brazil is reverting to interventionist ways that were found want­ing in the past. The industrial sector counters that manufacturing will sink under high costs and rising imports unless help is forthcoming.

The one point of consensus seems to be that the past decade of external tailwinds, provided by robust commodity prices and generous foreign fund inflows from loose monetary policy in developed markets, is over. Brazil needs to fuel its internal engines of growth, particularly investment.
“We are basically talking about what is the potential growth of Brazil – how much Brazil could grow in this new world with commodities not pushing, with developed countries not growing, this is a question [for which] we don’t have an answer today,” says Roberto Setubal, chief executive officer of Itaú Unibanco, Brazil’s biggest private bank. “Clearly Brazil has to change the model.”


Intervention in Brazil can make or break an investor’s fortunes overnight. In March, shares of Petrobras leapt 9 per cent after the government unexpectedly allowed the state-controlled fuel company to increase diesel prices. While the government officially denies controlling petrol prices at the pump, Petrobras is forced to sell fuel from its refineries at below international levels to help control inflation, depleting cash reserves needed to develop Brazil’s giant offshore oilfields.
“It was a positive surprise,” says Brunella Isper at Aberdeen, a São Paulo fund management company. “Maybe the government is signalling it is not that keen to use Petrobras any more as a tool to control inflation, which would be great if true.”
The surge of interventionism dates back to 2009 when Brazil began what it dubbed the “currency war”. The government was worried that foreign speculators were pouring money into Brazil to exploit the country’s high interest rates, in the process driving up the value of the currency against the dollar and hurting the competitiveness of local industry. The episode reached a climax in 2011 when Brazil raised financial transaction taxes on everything from bonds and swaps to foreign loans in order to curb the inflows.
Eventually, the real did weaken. Although the International Monetary Fund cautiously approved currency controls, various economists have questioned the currency war’s value. Nomura economist Tony Volpon argues the currency controls cut off foreign portfolio inflows and damaged investor sentiment just as the economy was slowing down in mid-2011 because of the eurozone crisis. This partly explains why Brazil screeched to a halt faster than other emerging economies – from 7.5 per cent GDP growth in 2010 to 0.9 per cent last year. Worse, the weaker currency seems to have done little to revive industry, which is plagued by high costs and wage rises that are outstripping productivity.
“The imposition of capital controls led to a tightening of monetary conditions just as growth began to disappoint,” Mr Volpon said in a report.
Apart from the currency, the government reverted to direct protection. The big four car manufacturers in Brazil – Fiat, Volkswagen, General Motors and Ford – won a reprieve in 2011 from competition from cheap Asian imports. Excise tax rose up to 30 percentage points on cars with less than a certain level of local content, stopping some Korean and Chinese producers in their tracks.
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In its bid to save jobs, the government began cutting social welfare taxes for 40 industries. Companies applauded the move. But the ad hoc nature of the changes led to more uncertainty in the investment climate, economists argued. Jin-Yong Cai, the chairman of the World Bank’s private-sector arm, the International Finance Corporation, told the Financial Times: “Business looks for stability and transparency and it’s not good to give special treatment to one industry or another which in my view creates distortions.”

Hopes pinned on consumers

Spain’s Telefónica and its suppliers offer a very different picture of Brazil from the one that is worrying capital market investors.
Even as economists fret that Brazil is entering a period of stagflation, Leonardo Capdeville, planning and technology officer at Telefónica Vivo, is focusing on a massive expansion of network capacity to embrace Brazil’s growing number of internet users.
In the second half of 2011, the central bank began a dramatic easing cycle, bringing its benchmark Selic rate down to what is for Brazil a record low of 7.25 per cent. Yet Ms Rousseff was dismayed when banks refused to increase lending. What ensued was a messy public spat with the private banks, which resisted exhortations to increase lending, arguing that Brazilians were already too heavily indebted.
“For Brazil, the issue is that consumer spending, which for years was the driver of growth, can no longer continue to increase at rapid rates,” said Capital Economics, a London-based research house.
After the failure of these earlier interventions to return growth to its higher track, official policy took a more strategic turn last year. Ms Rousseff began targeting Brazil’s high costs – Brazil ranks 130th out of 185 countries on the World Bank’s Doing Business survey – below Bangladesh and Russia but above India. She also began trying to boost Brazil’s low investment ratio, which at 18 per cent of GDP last year is below Mexico at 21.5 per cent and Chile at nearly 24 per cent.
First came giant infrastructure programmes. More controversially, the government also renegotiated expiring electricity concession agreements to give operators the choice of extending immediately – in exchange for a sharply lower tariff – or face their contracts being put up for tender when they expired. This sent electricity stocks crashing, angering investors, but it won applause from industry associations.
Critics argue the end result was that while foreign companies remained bullish last year, ploughing $65bn in direct investment into Brazil, the plethora of changes created so much uncertainty that domestic investors and foreign fund managers began withholding their money.
“Excessive interventionism has a cost, it was probably 200 basis points altogether in Brazil last year of growth,” said Marcelo Salomon, economist at Barclays Capital.
Others, however, see some of the interventions as important attempts to move Brazil further down the development path and tackle the notorious custo Brasil or Brazil cost. Interest rates charged by banks on some consumer products, such as overdrafts, soared into triple digits. Ms Rousseff’s campaign to lower rates was an attempt to deal with this.
Brazil has the highest ratio of renewable hydropower electricity at nearly 82 per cent last year. Yet Brazilians pay among the world’s highest energy bills. The government’s intervention in electricity lowered energy costs 14 per cent this year, according to Itaú-Unibanco.
The government is pursuing other reforms, too, that barely register on the investor radar: Ms Rousseff wants to double education investment to 10 per cent by 2020 and she is overseeing an improvement in the rule of law by showing less tolerance for corruption among her ministers and in her party.
“Even though investors take a view that the moment you intervene it is wrong, what investors want doesn’t always necessarily imply what is good for the country itself in the long term,” says Haroon Sheikh of Netherlands-based Cyrte Investments.
The history of rapid development in northeast Asia, such as South Korea’s state-led focus on education and its use of the chaebol business groups to develop value-added industries, were examples of successful interventions. Mr Sheikh adds, however, that not all intervention is good. Subsidies, local-content programmes, protection, tax breaks and cheap credit should be accompanied by strict guidelines to ensure that industries become globally competitive or cease to receive such benefits. A crucial part of successful east Asian industrial policy is “being able to let things that are not important die and focus on others”, Mr Sheikh says.
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There is a growing sense that the most frenetic phase of the intervention may be ending. A more assertive central bank is pushing back on inflation and threatening to increase interest rates. The fuel-price rise and a promise by officials to improve returns on infrastructure projects were taken as a sign by investors that the government is still listening. The economy seems to be responding, with better growth coming through in January.
Political analysts say that although a more methodical approach to economic reform is needed, Ms Rousseff will probably continue to walk a tightrope between providing concessions to politically important industries and launching more comprehensive changes. If industry begins laying off workers, it would hurt her re-election prospects and provide a boost for new presidential challengers, such as Eduardo Campos, a charismatic governor in the booming northeast state of Pernambuco.
Perhaps for this reason, Marcos Zaven Fermanian, president of Abraciclo, Brazil’s motorbike and bicycle manufacturers’ association, remains confident that help could be on the way for his industry.
“The state-owned banks have increased the volume of finance to our customers but there is still space for further growth,” he says.
Mr da Silva may be able to upgrade that motorcycle after all.


segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Dilma Roussef: sua foto no interrogatório em 1970


Detalhe da foto: os 'interrogantes' escondem o rosto. Vergonha da atitude, medo do futuro ou os dois?


Foto inédita mostra Dilma em interrogatório em 1970

ÉPOCA publica na edição desta semana uma imagem da presidente Dilma Rousseff aos 22 anos, na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro

REDAÇÃO ÉPOCA
A vida quer é coragem (Editora Primeira Pessoa), do jornalista Ricardo Amaral, chega às livrarias na primeira quinzena de dezembro. A foto abaixo, inédita, está no livro que conta a trajetória de Dilma Rousseff da guerrilha ao Planalto. Amaral, que foi assessor da Casa Civil e da campanha presidencial, desencavou a imagem no processo contra Dilma na Justiça Militar. A foto foi tirada em novembro de 1970, quando a hoje presidente da República tinha 22 anos. Após 22 dias de tortura, ela respondia a um interrogatório na sede da Auditoria Militar do Rio de Janeiro.
A RÉ DILMA Dilma na sede da Auditoria Militar no Rio de Janeiro, em novembro  de 1970. Ao fundo, os oficiais que a interrogavam sobre sua participação na luta armada escondem o rosto com a mão (Foto: Reprodução que consta no processo da Justiça Militar)